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O Engano do Espiritismo

Em se tratando do assunto espiritismo o que sempre teremos é o grupo dos enganados e o grupo dos enganadores. Os do primeiro são justificados, até certo ponto, pois são vítimas de uma ilusão – crêem porque acham que é o certo, seguem porque acham que é verdade. O Segundo grupo, o dos que buscam por palavras e provas para justificar seus ensinos é culpado. Culpados por serem incoerentes, imprecisos, conscientes de tudo isto. Consciência que os leva a ocultar fatos e disfarçar outros.

O Brasil, tido como o maior país católico do mundo é na verdade o maior país espírita. Acostumados com um sincretismo religioso onde se misturam crenças como se prepara um smoothie no liquidificador, milhões de brasileiros são enganados pela crença de que sendo espíritas são cristãos. Pois isso lhes ensinam – “o espiritismo é uma religião cristã” – dizem eles, utilizando-se de versos tirados da Bíblia e de constantes figuras gráficas de um Cristo conivente com a doutrina espírita. Cristo esse, que na doutrina espírita é passado como o espírito mais evoluído de todos – só isso, nada além disso. O diabo, segundo a mesma doutrina é o espírito brucutu do mundo dos espíritos, o menos evoluído, uma espécie de homem de Neandertal em termos espirituais. O que o separa de Cristo são apenas as múltiplas reencarnações com seus respectivos carmas que venham lhe purificar. No final, o diabo se encontrará no mesmo status de Cristo.

O cidadão que nas pesquisas do censo se identifica como católico mas que no dia-à-dia nutre uma simpatia pelo espiritismo, o faz porque acredita que as duas crenças são compatíveis. Afinal os ensinos de Cristo são abundamente usados nas sessões de doutrinamento espírita! A grande falácia que é passada pelo grupo dos doutrinadores conscientes para os que vão sendo doutrinados, muitas vezes inconcientemente, está justamente em tentar identificar o espiritismo com o cristianismo. Na prática poucas coisas poderiam ser tão inconciliáveis quanto isto.

Espiritismo x cristianismo

Jesus, o “maior espírito” segundo o espiritismo, diz:

“Porque vocês estão sempre me dizendo Sim, Senhor, está certo, Senhor, mas nunca fazem o que lhes digo pra fazer? Por quê me chamam de seu líder se na verdade não me obedecem?”

(Lc 6.46)

Entende-se que budistas são aqueles que seguem os ensinamentos de Buda, assim como confucionistas o fazem com confúcio e os mulçumanos com Maomé. Mas parece que quando se trata de cristianismo essa lógica não se segue. Pessoas não seguem nada do que Jesus ensinou e adotam crenças diametralmente opostas a isto e ainda assim se declaram cristãs.

Cristianismo é aquilo que foi deixado por Jesus para seus discípulos imediatos e que foram registrados num livro conhecido hoje como Novo Testamento. Como parte dos seus ensinos, Jesus ratifica a veracidade do livro sagrado dos Judeus, o Velho Testamento (Mt 5.17). Assim, o ensinamento de Cristo está registrado na soma destes dois livros, que hoje chamamos de Bíblia Sagrada.

Quem quer que se diga cristão mas que adota ensinamentos que contradizem a Bíblia não segue o verdadeiro cristianismo, mas um cristianismo próprio, feito sob encomenda, o que o descaracteriza como seguidor de Cristo.

O espiritismo nega exatamente as doutrinas essenciais do cristianismo, e portanto, ainda que se façam um milhão de menções ao nome de Jesus e recitem versos cortados por tesoura para isolá-los de seu contexto, não pode ser identificado como cristão.

O espiritismo nega tudo o que é essencial ao ensinamento de Cristo, à saber:

  • A Inspiração divina da Bíblia

  • A Doutrina da Trindade

  • A Divindade de Cristo

  • A Ressurreição corporal de Jesus

  • A redenção por Cristo

  • A Existência do céu e inferno

  • A ressurreição do corpo

Não só por negar as doutrinas essenciais o espiritismo se identifica como uma seita anticristã, mas também por negar veementemente o que a própria Bíblia legitimada por Cristo explicitamente declara sobre o espiritismo:

  • Lev 20.6

  • Lev 19.31

  • 2Cron 33.6

  • Isa 8.19

Tirando isto, o que sobra é uma colcha de retalhos devidamente costurada por Allan Kardec e seus propagadores, que falsifica um cristianismo colocando o nome de Cristo nisto assim como os falsificadores colocam logos da Nike em tênis fajutos no Paraguai. O que sobra é um evangelho não segundo Jesus Cristo, mas um evangelho segundo Allan Kardec, que como um camaleão adota as cores de seu ambiente como camuflagem. Tal tática, ainda que perspicaz, aparece na Bíblia cristã como característica daquele chamado de espírito bruto pelo espiritismo:

Os tais são pseudo-apóstolos (do cristianismo), pregadores mentirosos, trabalhadores enganosos, pois colocam-se como agentes de Cristo, mas são falsos para com sua essência. E não é de se admirar! Satanás faz isso o tempo todo, vestindo-se como um belo anjo de luz. Portanto, não deve surpreender-nos quando seus ministros se disfarcem em ministros de Deus.

2Coríntios 11.12-15

O propósito de inserir o nome de Jesus neste contexto é um só: enganar pessoas que tem medo de se envolver com algo que não seja cristão. No quesito falsificação, o próprio espiritismo moderno é sabotado. Esse espiritismo é chamado de kardecista porque segue uma nova interpretação do espiritismo dada por Kardec e não sua origem hindu e de religiões animistas milenares.

Nesse espiritismo original sua rudez é vista no ensinamento de que a reencarnação não ocorre como transmigração da alma de humano para humano somente. A necessidade de uma reinvenção do espiritismo por Kardec é por ele ser um homem ocidental e antever que uma doutrina que acredita originalmente que numa próxima reencarnação o homem pode vir em forma de lesma ou até mesmo uma pedra, não subsistiria num mudo ocidental que deve sua cultura ao cristianismo de Cristo, não de Kardec.

O kardecismo seria muito mais sincero e autêntico se definitivamente afirmasse o ensinamento de Cristo como seu opositor e o rejeitasse categoricamente. Mas aí correria o risco de perder grande parte de sua clientela. Por isso o engano prossegue. Em resumo, o espiritismo é essencialmente um embuste – contra si mesmo, e certamente contra o verdadeiro cristianismo.

Edilson Dutra