Comunidade Alian

Debates

Os debates são uma forma importante de responder às críticas à nossa fé. (Desde que de forma civilizada!). O alvo do debate entretanto não é tentar convencer o seu opositor mas sim levar o público que está assistindo o debate a refletir sobre as respostas. Através de debates nas redes sociais, milhares de pessoas que antes ouviriam passivamente criticas antibíblicas e anticristãs, passam a ter a oportunidade de constatar pessoalmente que a Bíblia e o cristianismo tem respostas convincentes.


Arquivo

A Arca de Noé

Debate online do Pastor Edilson Dutra com ateus sobre o tema A ARCA DE NOÉ E O DILÚVIO – Setembro de 2006

BRUNO:

Sempre a mesma coisa…

A desculpa para o fundamentalismo nestes assuntos é “deus fez malabarismos com as leis da fisica e da quimica só para criar um grande show, ao inves de destruir tudo por simples vontade”.

PR. EDILSON:

Um milagre é por definição um malabarismo de Deus com as leis da natureza, mas não há nenhuma confusão nisto, quando não se tem uma predisposição de rejeitar a Bíblia. Nos milagres ou intervenções divinas existe uma lógica muito simples: se o Deus da Bíblia existe e é o Criador do universo, logo, ele é o criador de todas as leis que o regem. Quem gerou a força de suas leis é mais forte que as próprias e pode então alterá-las ao seu bel-prazer, mas sempre o faz por um propósito.

ALEJANDRO:

OK, a gente entende o conceito “Deus-Pode-Tudo”, e até podemos aceitar que, em vez de simplesmente estalar os dedos e terminar só com os homens que provocaram a sua ira e arrepentimento, ele preferisse montar uma superprodução espetacular que também matou muitos bebês e crianças inocentes, além de torcer ou quebrar muitas leis da física e da química (Deus-Pode-Tudo) só para dar o efeito persuasivo que ele queria dar. Tá legal.

Mas, já que estamos neste assunto do Dilúvio Universal, há uma coisa que não encaixa, e é que o negócio é “Deus-Pode-Tudo” e não “Noé-Pode-Tudo”. Me explico: Noé construiu uma arca de 300x50x30 cúbitos (mais ou menos 130x22x13 metros) e teve que enfiar nesse espaço mais de 100 milhões de espécies animais em pares! (Ou eram seis?). Mesmo que a maioria dessas espécies sejam insetos, ainda tem muito bicho grande mesmo. E a logística de manter vivo tanto bicho? Comida para os vegetarianos, para os carnívoros, para os frugívoros… As toneladas de excrementos diários, o ruído, e ficar o dia inteiro cuidando os grandes felinos, para que eles não comessem os coitadinhos dos carneiros… Cuidar dos ursos, elefantes, girafas, jacarés, cobras, tanto bicho perigoso…

Que ridículo, nem sei porquê estamos discutindo uma lenda sumérias da Idade do Bronze como se tivesse sido uma realidade histórica…. Aff!

PR. EDILSON:

Primeiramente uma correção:

A Arca foi medida em côvados e o consenso dos historiadores e arqueólogos da antiguidade é que um côvado tinha cerca de 46 cm. Assim, as dimensões da arca era: 137 x 23 x14 metros. A arca tinha 3 níveis de convés (Gn 6.16) o que triplica seu espaço para mais de 45.000 metros cúbicos, o que é equivalente à 569 vagões de trem.

Existem, mais provavelmente, apenas 72 mil tipos de diferentes animais terrestres, e o tamanho médio desses animais terrestres é menor que um gato, assim, menos da metade da arca seria suficiente para guardar 150 mil animais. Os insetos caberiam num espaço mínimo, e como você mesmo já citou, eles eram a maioria.

Quanto à logística, lembre-se que estamos usando a lógica bíblica (Se Deus existe e é Criador do universo, logo é capaz de alterar a natureza e suas leis temporariamente, o que é comumente chamado de milagre). Assim como Noé só poderia ter juntado as espécies se elas tivessem migrado para o local por si mesmas, não seria contrário à lógica bíblica supor que muitos animais teriam sido postos a hibernar (mesmo os que não o fazem naturalmente). O convívio entre os animais também se aplica dentro desta lógica, uma vez que a Bíblia também menciona um evento futuro onde A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. (Is 11.7,8)

Quanto aos excrementos, nada que uma boa faxina não resolvesse.

 ALEJANDRO:

O problema é quando chegam os carinha dizendo que a arca era real, que uma torre chegou até o céu de verdade, que tinha uma cobra falante mesmo, e etc…

PR.EDILSON:

O problema  na verdade é quando “chegam os carinhas” calculando tudo errado e tentando compreender Deus exclusivamente pelas leis naturais. Já é um fato espantoso concluir que uma “lenda” escrita muitos séculos antes do desenvolvimento do conhecimento da construção naval e do conhecimento do número das espécies terrestres fosse capaz de acertar precisamente no tamanho que a arca teria que ter (milagre?). A Bíblia afirma que a cobra não falou por si mesma, mas um espírito inteligente falou incorporado no animal. A Bíblia descreve que os homens disseram que fariam uma torre que tocasse os céus, a Bíblia não afirma isto, apenas faz a reportagem do foi falado. Assim aquilo que você quer ou deseja ouvir, nem sempre é a verdade, e nem sempre o seu juízo do que é madurez e sensatez implica que você está certo, assim como nem sempre o seu gosto pela sua comida preferida implicará que os demais gostos sejam insensatos ou imaturos.

ALEJANDRO:

“Existem, mais provavelmente, apenas 72 mil tipos de diferentes animais terrestres”

72.000? E o que aconteceu com as outras 99.928.000 de espécies? Eu me lembro de ter lido em outro for uma argumentação (muito pobre, seja dito) que dizia que na arca não precisaram entrar todas as espécies, já que das poucas espécies que entraram na arca saíram as outras espécies, por especiação! Ou seja, um elemento clave do evolucionismo usado para uma defesa do literalismo bíblico!

Nem vou perguntar como é que fizeram os cangurus, os ornitorrincos, as llamas, os iaques, os búfalos, os mico-leões, e outros bichos de diferentes continentes para nadar kilômetros de oceano para ser salvos em uma arca! E pior ainda, como fizeram esses mesmos animais, em pares, para nadar de volta até os seus respectivos continentes de origem! Voltando para o mesmo lugar de onde eles eram! Tudo isso é risível!

Também não entendo o porquê dessa aversão ao análisis moderado que se pode fazer à letra morta de um texto. Quando alguém me conta a estória de chapeuzinho vermelho, eu sei muito bem que ela representa a inocência, que o lobo mau representa a malandragem de alguns adultos, que a moral da estória é talz e talz. Agora, eu não vou começar a andar por aí achando que fisicamente existiu uma chapeuzinho vermelho e que históricamente o lobo mau existiu, usando como prova da existência do lobo mau outros relatos onde ele também aparece, como por exemplo na estória dos três porquinhos.

CAH:

A ciencia nunca vai se misturar com a biblia pra provar que as coisas contadas la sao verdade, e sabe pq? Pq NAO DÁ.

ALEJANDRO:

A Cah mostrou sensatez para separar o joio do trigo. É uma estória com um fundo moral? Sim. É um fato histórico? Pô, vamo lá… Daqui a pouco você vai chegar querendo me dizer que de verdade teve um noivo que ia chegar e dez virgens foram esperá-lo, cinco delas com óleo para suas lâmpadas e as outras cinco sem óleo, e que essa estória é uma realidade histórica…

 PR. EDILSON:

 “E o que aconteceu com as outras 99.928.000 de espécies?” 

As 72 mil espécies foram muito claramente especificadas como espécies de animais terrestres. O número citado pelo Alejandro parece ou fantasioso ou incluindo toda espécie da fauna. Dentre deste número na casa de 1 bilhão, quantos de fato são terrestres?

“Nem vou perguntar como é que fizeram os cangurus, os ornitorrincos, as llamas, os iaques, os búfalos, os mico-leões, e outros bichos de diferentes continentes para nadar kilômetros de oceano para ser salvos em uma arca! E pior ainda, como fizeram esses mesmos animais, em pares, para nadar de volta até os seus respectivos continentes de origem! Voltando para o mesmo lugar de onde eles eram! Tudo isso é risível!”

Existe a possibilidade de um dilúvio parcial e não universal que pode ser levado em consideração. A linguagem é de observação, “toda a terra”, e aparece outras vezes na Bíblia se referindo à parcialidade entretanto. Além do mais, se os animais de Noé foram fruto de “evolução”, e se por capricho da sorte sempre sobreviveram, porque quando aplicado à questão bíblica, os tais animais parecem bem mais passíveis de extinção do que normalmente é apresentado pelos conceitos evolucionistas? A mesma pergunta deveria ser feita ao evolucionismo: Como espécies evoluidas semelhantes às de outros continentes chegaram à continentes isolados como a Austrália – coincidência evolutiva ou chegaram nadando?

“Também não entendo o porquê dessa aversão ao análisis moderado que se pode fazer à letra morta de um texto. Quando alguém me conta a estória de chapeuzinho vermelho, eu sei muito bem que ela representa a inocência, que o lobo mau representa a malandragem de alguns adultos, que a moral da estória é talz e talz.” 

A questão é bem mais simples do que parece. A resposta é: porque a Bíblia faz clara distinção entre narrativas de parábolas, ilustrações e narrativa histórica. Também sabe a diferença entre lendas, mitos, crendices populares e fatos. Assim, uma vez que tal distinção é feita pela Bíblia, não podemos sair por aí interpretanto todo o texto que julgamos de difícil compreensão pelo pensamento comum como lenda ou ilustração moral só porque temos dificuldade de aceitá-lo como fato. Na verdade a dificuldade do Alejandro e tantos outros críticos da Bíblia em não aceitar fatos cujas narrativas parecem fabulosos, tais como abertura do mar Vermelho, Arca de Noé, etc se deve ao fato de eliminarem em seus conceitos a noção da lógica bíblica da existência de Deus, de milagres e do sobrenatural. É óbvio, que eliminando-se tais bases, as narrativas só podem soar como lendas, é como tentar explicar o nazismo sem Hitler, é até possível tentar, mas impossível na prática porque o nazismo foi um produto do mesmo.

“Daqui a pouco você vai chegar querendo me dizer que de verdade teve um noivo que ia chegar e dez virgens foram esperá-lo, cinco delas com óleo para suas lâmpadas e as outras cinco sem óleo, e que essa estória é uma realidade histórica…”

Não só é uma realidade histórica e cultural do oriente médio antigo, como prova que seu preconceito contra a Bíblia provém na maior parte da interpretação errada que você pratica e desconhecimento do objeto de discussão. O texto das 10 virgens é claramente exposto como PARÁBOLA, porém se utilizando de um aspecto cultural. As 10 virgens, ao contrário do que parece indicar o Alejandro de que eram as noivas para o noivo, eram de fato as “damas de honra” do casamento e a narrativa é facilmente explicável quando se conhece a cultura antiga, mas soa estranha à nossa cultura e ao nosso tempo, especialmente se fizermos a interpretração errada de que as virgens eram as nubentes.

“A ciencia nunca vai se misturar com a biblia pra provar que as coisas contadas la sao verdade, e sabe pq? Pq NAO DÁ.”

A Cah realmente mostrou sensatez nesta frase acima, pois de fato utilizar a ciência como tentativa de provar que a Bíblia está errada já se provou uma viagem frustrante. Ciência se limita a matéria e suas forças. Bíblia trata igualmente do material e suas forças, porém também além dessa matéria e como suas forças podem ser influênciadas pelo sobrenatural(aquilo que é além do campo natural que a ciência pode investigar). Assim ela está certíssima quando diz que a ciência nunca será suficientemente capaz de provar a verdade bíblica, porém é preciso lembrar que o negativo dessa afirmação é igualmente verdade: A CIÊNCIA NUNCA SERÁ CAPAZ DE PROVAR QUE A BÍBLIA ESTÁ ERRADA! NUNCA NÓS CRISTÃOS SEREMOS CAPAZES DE PROVAR PELA CIÊNCIA A EXISTÊNCIA DE DEUS, MAS TAMBÉM NUNCA A CIÊNCIA PODERÁ PROVAR POR SUA INVESTIGAÇÃO QUE DEUS NÃO EXISTE. Assim sendo, o Alejandro mostra uma grande contradição quando concorda com a Cah, chamando seu último post de sensato, e ao mesmo tempo tentando discutir a Arca e o dilúvio com bases puramente científicas (e na verdade muito mais especulação ciêntífica do que provas reais).

“Eu me lembro de ter lido em outro for uma argumentação (muito pobre, seja dito) que dizia que na arca não precisaram entrar todas as espécies, já que das poucas espécies que entraram na arca saíram as outras espécies, por especiação! Ou seja, um elemento clave do evolucionismo usado para uma defesa do literalismo bíblico!”

Evidentemente que quem fez tal afirmação não conhecia nem a Bíblia e muito menos a evolução, visto que não daria tempo para as espécies evoluirem desde o tempo de nóe para cá (alguns poucos milhares de anos). Também já li muita estupidez de ateístas, mas não posso usar argumentos individuais ridículos como refutação contra o ateísmo.

ALEJANDRO:

“Existe a possibilidade de um dilúvio parcial e não universal que pode ser levado em consideração”.

Até que enfim uma concessão razoável, hein? Mas é lógico que o dilúvio foi parcial. Muitas lendas de fato têm uma base real, e neste caso a realidade histórica que deu origem à lenda do dilúvio teria sido um evento natural acontecido faz uns 3.000 anos, na Crescente Fértil, quando os habitantes pensavam que a Suméria era o mundo inteiro.

Onde hoje temos o estreito de Bósforos, antes havia uma barreira que funcionava como uma represa natural, mantendo as águas do Mediterrâneo separadas de um vale muito fértil ao norte da Turquia, na zona do monte Ararat. Nesse vale havia um lago com algumas aldeias ao redor, entre elas os Proto-Indo-Europeus e os Semitas, . Uma subida na maré do Mediterrâneo derrubou a barrreira natural, esvaziando uma enorme quantidade de água no vale, afugentando as aldeias a outras regiões, onde mais tarde eles contariam sua dramática estória. Hoje temos nesse lugar o Mar Negro.

Aqui tem um mapinha animado muito legalzinho que ilustra o que teria acontecido:

http://www.babyloniangal.com/files/babylon/apiladey.html

E não fique bravo quando nós usamos um enfoque neutral e lógico para analisar este tipo de questões: quando vemos as coisas pelo ângulo mais lógico, livres de preconceitos e temores sem fundamento, podemos ter uma idéia mais clara e objetiva do que estamos debatendo.

PR. EDILSON:

Não se trata de uma concessão, mas uma possibilidade que circula livremente pelos corredores dos seminários teológicos, muito antes de ser uma preocupação de como responder à ateus sobre o assunto. Entretanto, a possibilidade de um dilúvio parcial não se coaduna de forma alguma com a SUPOSIÇÃO do que tenha ocorrido na região que tenha originado o mar negro, pois a sua historinha não explica a construção prévia de uma embarcação que se supõe ter sido com cerca de 120 anos de antecedência. Noé não foi pego de surpresa por uma barragem rompida, mas construiu uma arca, e em proporções que construtores navais da atualidade reconhecem ser medidas que trariam uma grande estabilidade para a embarcação. A sua historinha também não contém relatos de animais sendo postos na embarcação, nem relata que até mesmo o pico dos montes ficaram submersos. Portanto tentar fazer um paralelo de uma SUPOSIÇÃO, ainda que com filminhos e tudo, com a narrativa do dilúvio é forçar a barra pra valer.

“…quando vemos as coisas pelo ângulo mais lógico, livres de preconceitos e temores sem fundamento, podemos ter uma idéia mais clara e objetiva do que estamos debatendo.”

Não tô nem um pouquinho bravo, tô tranquilinho, tranquilinho…só não posso concordar que seu ângulo seja “mais” lógico. Mais lógico para que lógica? A humana? ou aquela que lógica que a Bíblia retrata? Lógica baseada em lendas sumérias? Afirmar que sua posição é LIVRE DE PRECONCEITO é de fazer qualquer cristão morrer de rir. O preconceito bíblico é a base do pensamento ateísta. Ele não cogita se a Bíblia pode estar certa, ele parte do pressuposto de que a Bíblia está errada, em sua ânsia de negar Deus, milagres e o sobrenatural.

ALEJANDRO:

“pois a sua historinha não explica a construção prévia de uma embarcação que se supõe ter sido com cerca de 120 anos de antecedência”

Não mesmo. Essa hipótese só cobre o aspecto físico da coisa, não assim as experiências individuais de cada habitante da região. Não é impossível que houvesse alguns homens que percebessem como o mar estava subindo do outro lado da barreira, e fizessem os preparativos para salvar o que era importante para eles. Esse evento não teria acontecido de um dia para o outro, inclusive depois do rompimento dessa barreira. Enquanto as águas subiam de nível lentamente (talvez até tenha começado a chover) alguém pode ter montado uma balsa para transportar as suas coisas, a família ou os animais. Pode ter tomado um certo número de viagens até por suas pertenências a salvo. Conta essa estória de pai para filho para neto, e algumas gerações depois você tem uma narrativa épica.

Eu entendo a posição teísta de aceitar tudo com a fé. Não me oponho a que se queira fazer as coisas assim. Mas, do nosso lado, a gente prefere verificar os resultados dos estudos que se fazem lá, in situ, por gente que dedica anos de suas vidas estudando os acontecimentos históricos. E neste caso, temos centenas de estudos arqueológicos que encontram vestígios de aldeias no fundo do mar negro, além de registros geológicos que avalam a possibilidade desta hipótese. Descartar tudo isso e voltar a aceitar um relato indireto, resultado de séculos de tradição oral que depois foi posto em escrito por escribas sacerdotais, é como jogar fora o telefone celular e preferir passar mensagens jogando “telefone sem fio”.

PR. EDILSON:

Fatos a considerar:

1o. A suposição da construção da balsa continua longínqua do relato da construção de uma arca de Noé. Por mais que o seu herói anônimo tivesse tido a idéia de salvar alguns animais em sua balsa, isto não explica a precisão do tamanho da arca suficiente para comportar o número de animais terrestres, nem as suas dimensões reconhecidas por engenheiros náuticos, o que prova que não pode ter sido invenção de uma lenda evoluída. Onde existe qualquer precisão na história do chapeuzinho vermelho ou do saci-perere? Lendas não seguem o caminho da precisão e tendem para a negação da lógica ( o mesmo não se dá no relato do Genesis.

2o. Porque se deve considerar que as vilas submersas no mar Negro são provas contra o dilúvio, e não que o dilúvio de Gênesis seja exatamente o responsável pela existência do Mar Negro?

3o.Nós, os crentes, somos chamados assim evidentemente pelo exercício da fé, entretanto nossa fé não é tola, vazia e destituída de razão. Se o relato daquilo que cremos afirma uma relação de eventos com geografia específica, tempo específico, com pessoas específicas, então nossa fé não precisa se intimidar de que hajam fatos que possam ser comprovados mediante a busca racional.

4o. Embora saiba-se que o Mar Negro se originou de algum cataclisma e que existem evidências de que havia uma civilização naquele ambiente, o que e como aconteceu, continua sendo um mistério, e portanto tudo o que se diga, é basicamente especulação.

5o. Sua datação de quando ocorreu a inundação seja 3 mil anos atrás é absolutamente incoerente com o tempo correlacionado com o tempo de Noé, pois 3 mil anos atrás o rei Davi já reinava em Israel e neste tempo avançado afirmar que qualquer povo do oriente médio e do fértil crescente desconhecia que o mundo era muito maior do que seu próprio lugar é outra forçação de barra sua.

“Conta essa estória de pai para filho para neto, e algumas gerações depois você tem uma narrativa épica.”

A narrativa de Gênesis não tem nenhuma semelhança com linguagem de lendas. Com o passar de estórias de pai para filho, elas tendem a se distanciar completamente do seu assunto original e pender sempre para a imprecisão e a fábula. Acredita-se que de fato um conde Drácula existiu, e que tenha sido um guerreiro extremamente cruel. De sua crueldade surgiu a fábula de que bebia sangue, de sua associação com beber sangue veio a fábula de que ele se transformava em um morcego vampiro, assim, o produto final não pode de fato ser usado para fazer alguma associação real com o assunto original. isto é absolutamente diferente com a descrição cuidadosa de Gênesis: 1. construção da arca com descrição de medidas perfeitas 2. construção antecipada 3. agrupamento dos animais com o propósito de salvá-los (conciência do greenpeace no início da humanidade?) 4. A origem das águas (que não foi apenas chuva)5. a descrição do tempo em que permaneceram na arca e que levou para as águas baixarem (tempo igualmente preciso) e outras coisitas mais.

ALEJANDRO:

1º – Não sei não esse assunto de insistir que o planeta tem um número tão pequeno de espécies animais: lembre-se que tem que contar tudo menos os aquáticos (o que já é discutível), ou seja, répteis, anfibios, mamíferos, insetos, micróbios e até aves! Enquanto a esse assunto de engenharia náutica, também me cheira meio esquisito… Quero ver esses estudos sérios.

2º – Eu nunca disse que fossem provas contra. Muito pelo contrário, elas são evidências da inundação.
3º – Eu sei que o segredo da vossa existência está basado no exercício da fé, pois se ela remove montanhas… E disse bem claro que entendo essa posição. Lembre-se que já fui sacerdote gnóstico.
4º – Concordo plenamente. Mas, em se falando de especulações, nós dois estariamos na mesma situação, certo?
5º – Tá, foi malz. Tanto número e nome dando volta na minha cabeça deve ter provocado esse deslize. O correto é 3.000 anos antes de Cristo.

“construção da arca com descrição de medidas perfeitas 2. construção antecipada 3. agrupamento dos animais com o propósito de salvá-los (conciência do greenpeace no início da humanidade?) 4. A origem das águas (que não foi apenas chuva)5. a descrição do tempo em que permaneceram na arca e que levou para as águas baixarem (tempo igualmente preciso) e outras coisitas mais.”

1. Perfeitas?
2. Fato?
3. Relevante?
4. Talvez um rompimento de uma barreira natural onde agora está o estreito de Bósforos?
5. Fato?

Se a única prova que você tem é um obscuro texto baseado em lendas prévias, ainda que você negue, vou terminar batendo naquela velha, velha tecla da Lógica Circular.

Eu não estou dizendo que devamos considerar que uma cat´strofe nunca aconteceu, isso está bastante estabelecido como fato. As perguntas aqui seriam:

1) Cobriu o planeta inteiro até a ponta do Everest? Ou foi localizada em uma certa área?

2) Morreram todas as pessoas do mundo menos uma família?

3) Um homem construiu um enorme barco (mais ou menos do tamanho de um pequeno porta-aviões) para salvar os bichos?

4) Um casal de cada espécie animal de todo o mundo foi levado nesse barco?

E muitas coisas mais.

Literalismo é terreno perigoso para se defender.

lembre-se que tem que contar tudo …répteis, anfibios, mamíferos, insetos, MICRÓBIOS

PR. EDILSON:

Micróbios?!?!? Agora deu pra entender porque o seu número proposto de espécies é tão maior que o meu. E será que houve problema de espaço na arca para micróbios?

“Enquanto a esse assunto de engenharia náutica, também me cheira meio esquisito… Quero ver esses estudos sérios…..1. Perfeitas?”

Sim. Medidas perfeitas. Primeiro, porque no que concerne ao número de animais terrestres, teria o tamanho suficiente (inclusive contando com os micróbios!!!). Segundo, porque do ponto de vista da estabilidade naval, diversos arquitetos navais reconhecem suas medidas como responsáveis por proporcionar uma grande estabilidade na embarcação para suportar a violência de um cataclisma como o dilúvio. Estas proporções são importantes do ponto de vista da estabilidade, de arfagem e balanço da embarcação:

1. O engenheiro Naval D. Collins concluiu: “A arca de Noé era extremaente estável, mais estável, na verdade que os navios modernos” (Was Noah’s ark stable? CRSQ, 14, Sep. 1977)
2. O professor de engenharia hidráulica e presidente do departamento de engenharia civil do Instituto Politécnico de Virgínia (EUA), Dr. Henry Morris, mostrou que o tamanho e desenho da arca fariam com que ela fosse estável, capaz de suportar o ataque violento do dilúvio (The Ark of Noah. Creation Research Society Quarterly, VIII, 1971, pp 142-144).
3. O cientista Britânico Frederick A. Filby atribui a estabilidade da arca à perfeição das medidas da razão entre o comprimento e a largura (de 6×1) (the flood Reconsidered, p. 93)
4. O projetista do petroleiro Great Britain, que tinha medidas quase exatamente iguais a da Arca, I.K. Brunel, afirma ter tirado tais medidas do acumulo de conhecimento de gerações de armadores navais, dos quais , a arca foi o primeiro barco dessa espécie” (Idem, p.93)

Assim, uma das maiores provas à favor da veracidade do relato bíblico está justamente em como alguém que escrevia uma lenda seria capaz de acertar tão precisamente as medidas de estabilidade para uma embarcação imaginária numa época tão anterior ao desenvolvimento dos conhecimentos da construção naval. Compare-se isto, por exemplo, com o relato babilônico sobre as dimensões da embarcação como sendo em forma de cubo. Sobre isto afirmou Filby: “O relato babilônico que fala da arca como um cubo demonstra completa ignorância. Um barco desse tipo ficaria girando vagarosamente em torno de si mesmo.”

Outros números precisos são igualmente surpreendentes na narrativa do Gênesis sobre o dilúvio, o que vem a provar que tal narrativa é a original e verdadeira dos muitos relatos de diúvios entre os povos antigos. Assim, qualquer pessoa desprovida de preconceito antibíblico não teria dificuldades de aceitar o relato do Gênesis como verdadeiro com base nestes números tão somente.

ALEJANDRO:

Ó lá… fui investigar os nomes de seus “eméritos engenheiros” e só os encontrei em lugares especializados em Apologética. Inclusive alguns deles eram líderes de grupos Criacionistas, muito ativos em fazer propaganda para as suas idéias. Quando busquei alguma fonte neutral de informação, obtive bulhufas. Esse assunto fica muito escurecido quando não há um estudo objetivo que avale o caso. É como se eu quisesse provar que o Lobo Mau existe, pondo como provas os escritos dos irmãos Grimm!

PR. EDILSON:

Certamente você não os encontraria em lugares especializados em ateísmo. É evidente que engenheiros que usam seus conhecimentos para afirmar vêementemente sua aprovação técnica à Arca não são contrários à narrativa do Gênesis, e os que o são, não o fazem por crêr nela, assim de fato nunca encontraremos técnicos de ciências que se envolvam em assuntos de Bíblia que sejam de fato neutros.

Isto, entretanto não faz a mínima diferença. Não me interessa se o cientista evolucionista é antibíblia e ateu, o que interessa é que suas informações possam de fato ser embasadas cientificamente e não pelas suas proposições filosóficas.

Os céticos normalmente se utilizam desse recurso de atribuir não-imparcialidade apologética, mas os mesmos céticos só se baseiam em textos tendenciosamente ateístas. Ao invés de lhe  mostrar a relação dos nomes, das faculdadades onde lecionaram, e dos livros e páginas onde são mencionados, lhes deixar com as seguintes opções:

1. Que vocês busquem as fontes até encontrá-las.

2. Partam do pressuposto de que todos os escritores apologetas cristãos estão descaradamente mentindo quando citam esses nomes em seus livros.

3. Partam do pressuposto que escritores cristãos renomados que vivem em países como EUA onde existe uma verdadeira indústria de idenizações,  mentiriam na cara dura só pra vender livros

4. ou partam do pressuposto que tais apologetas  Honrariam seu ofício de escritor e apologeta com precisão de dados para que não fossem logo reconhecidos como fraudulentos

P.S. esse seu assunto sobre os micróbios não me parece mais assunto de quem está discutindo seriamente. Daqui a pouco você vai discordar da cor da roupa de Noé, ou vai pedir a certidão de casamento ou do nascimento dos filhos dele para provar que a família era realmente dele.